quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Nós por cá (3) – 2 meses de publicações


É verdade, faz hoje 2 messes que este Blogue viu a luz do “dia”! Durante este período aqui se publicam 28 Posts (25 ainda em 2015 e 3 em 2016). Visitaram-nos cerca de 2 750 visitantes (média de 50 visitantes/dia); que visualizaram estas páginas cerca de 16 400 vezes.

Como se pode ver no gráfico abaixo, estas foram as visualizações diárias dos nossos visitantes durante o último mês.


Gráfico 1 - Visualizações das nossas páginas entre 16/12/2015 e 14/1/2016


Entretanto informamos os nossos visitantes que também, desde ontem, já nos podem encontrar no Facebook. Basta para tal que nos procurem em “Marvão para Todos”. Numa morada ou noutra, ou nas duas, para todos que nos visitam: OBRIGADO. 

Este é o nosso visual no facebook

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ainda sobre Marvão e o Património Mundial: 4-2-4? 4-3-3? 4-4-2? Ou...

por João Bugalhão


Meus caros amigos estejam tranquilos! Não venho para aqui dar maçada com futebóis. Embora, pelo título, possa parecer. O assunto que aqui me trás hoje, é o já abordado aqui em baixo pelo Fernando Bonito - A Candidatura de Marvão a Património Mundial, que pelas diversas vicissitudes estratégicas que tem sofrido ao longo de 20 anos, mais parece, a evolução táctica por que tem passado o futebol.

Ao trazer aqui este assunto, não é porque o Fernando não o tenha tratado de uma forma completa e rigorosa, é antes e apenas uma complementarização e, simultaneamente, participar com a minha opinião num debate sobre um tema que tem estado na agenda dos marvanenses, e que tenho acompanhado ao longo de todo o seu percurso. Por outro lado, é também o tentar informar e sensibilizar a comunidade marvanense, acerca de um processo que não está concluído e que demora a ter o seu epílogo. Isto apesar de haver alguns marvanenses a pensarem que Marvão já tem essa distinção, tanto tem sido o ruído à volta do processo. No entanto conjecturo que, pelos caminhos por onde anda e tem andado, não será certamente durante a minha vida terrena, ou a de muitos de vós, que tal acontecerá.

Ao dar este título ao artigo, quando remeto para a comparação com a evolução das tácticas do futebol, quero dizer que também esta Candidatura já passou por diversos formatos, sem que até aos dias de hoje alguma se tenha tornado profícua. O processo tem servido mais para determinados autarcas e personalidades se promoverem eleitoralmente, sem que, efectivamente se tenha avançado nos resultados obtidos. Tem sido por assim dizer, o que acontece a uma “equipa” frágil/fraquinha: não há esquema táctico que lhe valha! Bem, para não dizerem que os termos são exagerados, digamos que, os resultados, não têm sido os anunciados.

1 - O “4-2-4” do tempo do Eusébio

Como muito bem diz o Fernando Bonito, o 1º projecto começou quando Manuel Bugalho em 1997 chegou à presidência da autarquia marvanense. Era um projecto aliciante, aglutinador e de consenso que ele trazia em “carteira”, que para além de ser um bem para Marvão (há excepção de alguns cépticos, poucos...!), era também uma forma para promover a sua projecção pessoal local, regional e/ou mesmo nacional. Durante 8 anos foi um implicar/gastar inúmeros recursos materiais e humanos neste sonho, com algumas realidades (carências da comunidade) a serem preteridas. Foi a “táctica” do apostar em Marvão (ou “do Marvão” como dizem os cosmopolitas lisboetas) como lugar único no mundo (geográfica e patrimonialmente): a sua singularidade! Só que essa definição só passava pela cabeça daqueles que nunca andaram pelo mundo, e quando tal “absurdo” chegou às portas da UNESCO, outros valores se levantaram (como foi a força política e o poder de outras candidaturas, como os casos das Ilhas Selvagens em 2003, e em 2004 das Vinhas do Pico dos Açores), e lá se foi a candidatura de Marvão! E para não “chumbarmos”, ou descermos de divisão se futebol fosse, em 2006 fomos compelidos a desistir, e o sonho de Manuel Bugalho não se realizou.

Não é que não tenham existido alguns avisos atempados, onde me incluo, mas nessa altura pouca gente me quis ouvir. Deixo aqui por exemplo um pequeno extracto de uma Declarações de Voto que fiz, enquanto membro da Assembleia Municipal dessa época:
Na Acta nº2 desse órgão em Abril de 2002 disse: “… faço uma análise francamente negativa sobre o deficit de peso político deste Executivo (entre outras coisas), para influenciar o ex - Governo Central do PS, a aceitar a Candidatura de Marvão a Património Mundial, projecto que o Executivo considera a “galinha de ovos de ouro” para o desenvolvimento do Concelho.”
Um ano depois em 29/4/2003 noutra Declaração de Voto, fiz a seguinte advertência: “…se as infra-estruturas subterrâneas na vila de Marvão não avançarem rapidamente, se não se resolver problema dos esgotos a céu aberto na encosta leste da vila, se não reformularmos a candidatura, se não se mobilizarem os marvanenses e os concelhos limítrofes de Portugal e Espanha para nossa causa, corremos o risco de a UNESCO nos mandar às urtigas, e não aprovar a Candidatura de Marvão.”

Infelizmente assim viria a acontecer. Foi a aposta falhada da táctica do “4-2-4”, como muito bem em tempos aqui (ver os diversos comentários)   se discutiu.  


2 - O “4-3-3” dos tempos do Cruyff

Entretanto tinha chegado ao poder em 2005 Vítor Frutuoso, que na sua génese, nunca vira com bons olhos a aposta neste projecto. Por isso, o falhanço da Candidatura, serviu na altura como arma de arremesso aos “sonhos” do anterior executivo, e de acusação por muitas falhas no não investimento em infra-estruturas reais no concelho. A “coisa” ficou assim esquecida nas gavetas 3 ou 4 anos.

Só que em finais de 2009 havia eleições e talvez, como por acaso (ou influenciados por uma tal Elvas), a “coisa” volta a saltar da gaveta. Havia então uma nova Candidatura, e claro uma nova “táctica”: A partir de então, a aposta, seria no clássico “4-3-3”!    

Dessa vez é que seria, afirmava-se então! Se sozinhos não conseguimos, juntamo-nos aos vizinhos de Elvas, Almeida, Estremoz e Valença do Minho, em Portugal; Olivença, Badajoz e Ciudad Rodrigo, em Espanha, fazemos uma candidatura das fortificações Abaluartadas da Raia Luso-Espanhola e não haverá UNESCO que nos resista. Não estava mal pensado, não senhor.

Só que em 2010, ainda se não tinham assimilado os métodos da nova táctica, Elvas aproveitando uma janela de oportunidade “clandestina” (arranjinho rondão - socrático), roeu a corda e com um treinador “tipo Jesus” que tinha estado como Coordenador da Candidatura de Marvão até 2006, fez uma Candidatura individual relâmpago (?) e em 2012, surpresa das surpresas, vê reconhecida pela UNESCO a sua “singularidade” como “o maior sistema de fortificações abaluartadas do mundo”!

E esta hein! Devem ter dito os restantes, entre eles Marvão. E a “coisa” abortou precocemente, com algumas birras e nomes à mistura! Nem sequer entrou em competição.

3 - O “4-2-3-1” de José Mourinho

Chegámos então a 2011. Passados os breves burricos, curadas as nódoas negras, isto das “tácticas” nunca deixam de evoluir, um certo dia numa conferência exterior, aparece um “tal” maltês a falar bem cá do burgo: que pois sim, era uma pena Marvão ficar para trás, por ele (se fosse ele) Marvão seria no dia seguinte Património da humanidade..., e zás, lá volta “coisa”. O anúncio foi feito aqui em Outubro de 2011.

Chegou a dizer-se, e proclamar-se, que Marvão havia contratado o “Mourinho” das candidaturas e, dessa vez, é que Marvão seria mesmo Património Mundial. Para tal bastaria desistir ou reformular as ideias anteriores (as tácticas velhas!). Qual “singularidade geográfica ou de património”? Qual fortalezas amuralhadas? Agora seria a Vila de Marvão, as suas gentes e costumes e os seus valiosos arredores (Sever, Ammaia, Megalítico, etc.). A “buffer zone” marvanense, como pomposamente lhe chamavam. Eu pus-lhe outro nome, mas não posso dizer aqui! E foi assim que se começou a ouvir falar do último grito da moda em tácticas: o famoso “4-2-3-1”.

Esse famoso “Mourinho” (perdoem, o Sr. Embaixador Ray Bondin) chegou a ser apresentado em Fevereiro de 2011, com pompa e circunstância à Assembleia Municipal de Marvão, que o acolheu com o fervor tipo adeptos de futebol no início de uma nova época. As coisas foram andando e, resultados, poucos ou nenhuns.
Em Abril de 2012, já após o meu abandono como Membro da AM, e em período destinado a perguntas do público, questionei o Executivo de Vítor Frutuoso sobre o processo, os seus custos e orçamentos futuros, como ficou expresso na Acta dessa Assembleia:
 
“O Sr. João Francisco Bugalhão solicitou informação acerca das contas do projecto de candidatura de Marvão a Património Mundial, quer da anterior, quer da actual.
O Sr. Vereador José Manuel Pires informou que a anterior custou aproximadamente 226 mil euros. Para a presente candidatura seria necessária, no entender do vereador, uma verba na ordem dos 15 mil euros.
Tomou a palavra o Sr. Presidente da Câmara Municipal que equacionou a realização de um fórum que avalie a vontade da população sobre a continuidade da candidatura a Património Mundial, defendendo, contudo, as grandes vantagens e benefícios que todo este processo trouxe a Marvão, quer na melhoria de infra-estruturas, quer na visibilidade que, em termos turísticos, se usufruiu com todo este processo. O Sr. Presidente esclareceu ainda, que Marvão necessita estar na ribalta para continuar a aumentar o seu número de visitantes, facto que se tem verificado, pese à grave conjuntura económica que se atravessa.”

Foi o único projecto da Candidatura em que vi o presidente Frutuoso deveras envolvido. Prometeu um Fórum, mas apenas realizou 3 Sessões de Esclarecimento, sempre com a sua presença, para ouvir os marvanenses! Estão aqui resumidas em reportagens que escrevi na altura: Marvão, - SA das Areias - SS da Aramenha.

Resultados e conclusões dessas Sessões, eu, nunca tive conhecimento e costumo andar atento. O que me ficou foi uma eloquente e incentivadora CartaAberta aos marvanenses, escrita por um dos Técnicos (Francisco Ramos)! Coisas nunca vistas anteriormente.

Não sei se toda esta implicação deu algum resultado acrescido para esse “novo” Projecto de Candidatura, a julgar pelos resultados, parece que não! Mas que serviu às mil maravilhas para a campanha eleitoral de 2013, isso não tenho dúvidas!

4 – O “4-4-2” de Jorge Jesus

E por fim quando todos pensávamos (depois de tantas promessas de sucesso anunciadas, de ida até à liga dos campeões), que as coisas do anterior processo iam “de vento em popa”, eis que, somos surpreendidos com nova mudança táctica, apresentada aqui pelo Vereador José Manuel Pires: parece que agora o “objecto” a candidatar (?) serão as praças amuralhadas da linha de fronteira mais velha da Europa: Portugal e Espanha.

Mas pergunto eu, se falamos de “fronteira”, como podemos falar das praças só de Portugal:
- Cidade - Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações;
- Praça-Forte de Almeida;
- Praça de Marvão;
- Fortaleza de Valença.
E as de Espanha? E será que a fronteira entre os dois países ibéricos começa em Valença e acaba em Elvas? 

Deixo pois aqui, e para terminar, a minha intervenção na Reunião de Câmara de 21 de Dezembro de 2015, chamando a atenção para estas situações e em jeito de aviso, quando a “coisa” foi aí apresentada pelo Vereador José Manuel Pires:

“O Sr. João Bugalhão referiu que tem vindo a acompanhar o processo da candidatura a Património Mundial desde o princípio, não muito por dentro, mas sempre um pouco à distância, o que dá uma outra visão. Também acompanhou todas as sessões de esclarecimento ao público que foram feitas há 3 anos nas freguesias do concelho, até escreveu uma série de artigos na altura a alertar para a maioria dos problemas que se têm vindo a verificar.
Agora com esta nova táctica e mudança de estratégia acha que se poderia ter feito uma coisa mais abrangente, integrando todas as fortalezas de fronteira. Falou-se aqui de Castro Marim mas lembra também Mértola, Caminha, Miranda do Douro, e de certeza que na zona nordeste também haverá outras praças que pudessem integrar e que, certamente, pudessem fortalecer o processo.
Alertou ainda para que, se fosse ele que estivesse na cúpula da Unesco e lhe aparecesse um processo com o argumento de candidatar a “zona de fronteira mais antiga da Europa” e suas fortalezas, mas que apenas lhe aparecesse o lado português, imediatamente devolveria, e recomendaria que se integrassem os dois lados da fronteira: Portugal e Espanha. E certamente será assim que sucederá. Referiu ainda que, embora os prazos já sejam muito apertados, talvez pudessem ser chamadas todas a este processo.
Perguntou ainda se Marvão já parou para analisar o que é que tem corrido mal em cada um dos passos (processos estratégicos)? Se já assumiu as suas responsabilidades e culpas, sobretudo da última, que durante 4 anos nos tentaram “vender” como de sucesso garantido, e agora já estamos a entrar noutra? Porque é que se tem falhado? E que já deve ter sido gasto mais de um milhão de euros, e o barco nunca mais aporta!
Foi-nos dito que o “maior” nas Candidaturas era o Dr. Ray Bondin, que ele é que nos lá levaria (na candidatura de Marvão e zona envolvente), mas que falhou e já nem se ouve falar nele.
Era bom que se pensasse a sério, o quanto antes, numa estratégia ganhadora. Que tem vindo, há vários anos e antecipadamente, a chamar a atenção e a escrever sobre o assunto para prevenir alguns dos erros cometidos.”

A resposta do Sr. Vereador foi a seguinte:

“O Sr. Vereador, Dr. José Manuel Pires explicou que este processo está aberto a que novos parceiros possam entrar e que esta estratégia deverá ser a mais ganhadora. A ficha de inscrição que se está a preparar é para a lista indicativa de Portugal para que se tenha uma previsão da inscrição dos bens na fronteira, dos dois lados da raia. Espanha já tinha esse trabalho feito e Portugal está agora a fazer. Durante o ano 2016 será a compilação de todos os bens e só em 2017 se saberá. E mais fácil termos o carinho da Unesco estando numa candidatura em conjunto.”

Conclusão: Está dado o mote para as eleições de 2017

Nota: Entretanto, meu caro Fernando Bonito, e como questionaste os custos, eu estimo que ao longos destes 18 anos se gastaram cerca de 1 milhão de euros em todo o processo. Se serviram apenas para publicitar a “marca”? Isso não sei, mas deduzo que sim. Se só por isso valeu a pena? Pois eu acho que não, só para isso far-se-ia com facilidade mais barato! Mas o presidente diz que não faz mal, porque a maioria desse dinheiro veio de financiamentos, como se não tivesse que ser pago por alguém...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Candidatura de Marvão a Património Mundial…nova sequela!

por Fernando Dias




Recentemente, surgiu em alguma comunicação social local e no site da CMM (http://www.cm-marvao.pt/pt/lista-noticias/545-fortalezas-abaluartadas-da-raia-apresentam-candidatura-conjunta-a-patrimonio-mundial)sem grande destaque, a notícia de que os municípios de Marvão, Elvas, Almeida e Valença apresentaram à Comissão Nacional da UNESCO uma proposta para inscrever as suas fortificações na lista indicativa do Património Mundial. O Município de Marvão esteve representado pelo vereador José Manuel Pires, pela consultora Vânia Rosa, consultora da “Augustos Mateus, consultores” e pelo historiador, arqueólogo e docente da Universidade de Évora, o marvanense Jorge Oliveira, como co-coordenador da candidatura.

Estamos, portanto, perante mais uma candidatura de Marvão a Património Mundial!

 Refiro que esta questão surgiu sem grande destaque, pois a comunicação social deu a notícia de forma quase telegráfica e no site da CMM a mesma surge ao mesmo nível de outras perfeitamente banais, como seja a tolerância de ponto dada aos trabalhadores nesta época festiva. Sublinha-se ainda o fraco, quase inexistente, envolvimento público do presidente do município nesta questão, pois não esteve na apresentação da candidatura e não promoveu, de forma vincada, esta temática no concelho e junto da comunicação social.


Eu, certamente como muitos, fiquei confuso com esta notícia e com a forma como a mesma surgiu e (não) foi divulgada. Por isso, para tentar entender o “enredo”, fiz uma rápida pesquisa na net sobre as várias “sequelas” desta epopeia, tipo “Guerra das Estrelas”, que é a candidatura de Marvão a Património Mundial.

Resumidamente:

1 – Em 1998, tem início a primeira candidatura de Marvão a Património Mundial, com a coordenação do Dr. Domingos Bucho.

2 – Em Maio de 2000, a candidatura é aprovada pela Comissão Nacional da UNESCO, passando Marvão, então, a integrar a lista indicativa, na qual são mencionados os motivos a propor pelo governo português para a futura classificação da vila como Património Mundial.

3 – A partir de 2002, por decisão do Comité de Património Mundial da UNESCO, cada país passou a poder apresentar apenas uma candidatura, tendo o governo português optado pela vinha da ilha do Pico, preterindo a Várzea de Santarém e o sítio de Marvão.

4 - Em 2003, Portugal candidatou as ilhas Selvagens, na Madeira, ficando assegurado que a apresentação da candidatura do sítio de Marvão, ocorreria em 2004, o que veio a verificar-se.

5 – Em Junho 2006, o executivo camarário decidiu retirar a candidatura de Marvão pelo facto do ICOMOS (Conselho Mundial de Monumentos e Sítios), um órgão consultivo da UNESCO que propõe os bens para a classificação de Património Cultural da Humanidade, ter dado parecer negativo à candidatura de Marvão. Um dos argumentos em que o ICOMOS se baseou para dar parecer negativo residiu no facto de "Marvão não ser único", existindo outros locais no mundo com as mesmas características deste sítio.

6 – Em Junho de 2006, o coordenador da comissão técnico-científica da candidatura de Marvão, Dr. Domingos Bucho, indicou que estava a ser equacionada a possibilidade de avançar com um novo processo, desta vez conjunto, com outros sítios de igual valor patrimonial em Portugal ou Espanha.

7 – Em Setembro de 2010, Marvão lança-se na sua segunda candidatura a Património Mundial, agora integrado num processo conjunto para a classificação das Fortificações Abaluartadas da Raia Luso-Espanhola, o qual tinha sido iniciado no ano anterior, que engloba Almeida, Elvas, Estremoz, Marvão e Valença, em Portugal, e Olivença, Badajoz e Ciudad Rodrigo, em Espanha.

8 - Em Fevereiro de 2011, realiza-se o lançamento do terceiro processo de candidatura de Marvão a Património Mundial, agora novamente de forma isolada, com a coordenação de Ray Bondin, embaixador de Malta na UNESCO e presidente do Comité Internacional das Cidades Históricas (CIVVIH), organismo integrado no Concelho Mundial de Monumentos e Sítios (ICOMOS). Desta vez, o processo de candidatura abrange o castelo da vila, a envolvente a Marvão, a Ammaia e o património megalítico e natural.

9 – Em 30 de junho de 2012, a cidade de Elvas (de forma isolada) torna-se Património Mundial, tendo, curiosamente, o Dr. Domingos Bucho como coordenador do dossiê de candidatura.

10 – Em Setembro de 2014, no âmbito da candidatura então em vigor, é lançado o livro “Marvão, estudos e documentos de apoio à Candidatura a Património Mundial”, coordenado pelo Professor Jorge Oliveira, o qual junta vários estudos sobre o território marvanense com vários temas como a biologia, a história, a geologia e a arqueologia, com o objetivo de “informar o dossier de candidatura de Marvão a património Mundial”.

 11 – Em Dezembro de 2015 é lançada a quarta candidatura de Marvão a Património Mundial, agora novamente conjunta, mas apenas com Elvas, Valença e Almeida. Na mesma, estes municípios pretendem elevar a Património Mundial as seguintes fortalezas abaluartadas da Raia: Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações, a Praça-Forte de Almeida, a Praça de Marvão e a Fortaleza de Valença.

Esta é, assim, uma história com quase duas décadas e várias “sequelas”!

Esclarecidos? Confusos?

Eu fiquei confuso!

Infelizmente, esta é uma história que até 2006 parecia muito feliz e agora, em 2016, me parece algo triste. Triste, porque:

a) – Parece não existir estratégia para atingir o tão ambicionado desígnio de Marvão chegar a Património Mundial. Diria, em linguagem de caçador, que se “atira a tudo o que mexe”! Parece que o que é importante é ir “renovando” a candidatura, mantendo a chama acesa, para daí tirar proveitos eleitoralistas.

b) – Não se esclarecem os marvanenses sobre o(s) processo(s) de candidatura e não se envolvem no(s) mesmo(s), tal como não se envolvem os concelhos vizinhos, que muito teriam a ganhar com o êxito de Marvão. Consequentemente, esta matéria em vez de ser uma “batalha” assumida por todas as forças marvanenses, torna-se, por vezes, motivo de “gincana” política.

c) – Não se entendem os avanços e recuos; ora candidatura individual, ora candidatura conjunta; e na conjunta, ora internacional, ora nacional!?

d) – O relacionamento com Elvas também parece, no mínimo, estranho. Elvas participa numa candidatura conjunta, mas “paralelamente” consegue o objetivo individualmente e com um coordenador “captado” a Marvão! E, posteriormente, integra nova candidatura conjunta!?

e) – Não se orçamentam os custos e não se informam os munícipes de quanto foi (e é) gasto nas variadas candidaturas. Em Maio de 2012 o presidente Vitor Frutuoso referiu à comunicação social que, até aquela data, tinham sido investidos 50 mil Euros na candidatura iniciada no ano anterior. Foi esta a única referência a custos que encontrei. Quanto terá já sido gasto na soma de todos estes processos, desde 1998?

Finalmente, refira-se que foi confrangedora a forma, digamos, banalizada como foi anunciada esta nova candidatura…

Sem envolvimento! Sem chama!

Eu considero que seria muito importante para Marvão e concelhos limítrofes o êxito na candidatura a Património Mundial. E que estes processos vão promovendo pesquisas importantes e deixando trabalho realizado, como seja o livro “Marvão, estudos e documentos de apoio à Candidatura a Património Mundial”, coordenado pelo Professor Jorge Oliveira, marvanense de elevada valia e profundo conhecedor do nosso património.

Mas será que esse caminho tem que continuar a ser percorrido a qualquer preço, caso se verifique que não é viável? Será que esse investimento, até ao momento infrutífero, canalizado para a promoção forte e séria da marca Marvão, isoladamente ou, preferencialmente, integrada com outras não se tornaria mais vantajoso?

Parece-me que esta é uma matéria que, no mínimo, merece um debate sério e profundo, a fim de, com o envolvimento de todos, se encontrar o caminho certo a percorrer.

Enfim, encontrar-se e definir-se “a” estratégia!

Nota: Informação consultada em:

http://www.cm-marvao.pt/pt/lista-noticias/545-fortalezas-abaluartadas-da-raia-apresentam-candidatura-conjunta-a-patrimonio-mundial

http://elvasnews.com/unesco-elvas-marvao-almeida-e-valenca-avancam-para-candidatura-conjunta/

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/candidatura-de-marvao-a-patrimonio-da-humanidade-retirada-para-evitar-a-sua-anulacao-1260812

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=232133

http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/66969.html

http://www.instdesign.com/portfolio/bvdrcc/almeida-candidatura-das-fortificacoes-abaluartadas-da-raia-luso-espanhola-a-patrimonio-mundial-unesco

http://visao.sapo.pt/lusa/lusacultura/patrimonio-mundial-vila-fortificada-de-marvao-relanca-candidatura-em-conjunto-com-outros-municipios=f573307

http://www.cm-elvas.pt/pt/elvas-patrimonio-mundial-desde-2012

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/marvao-patrimonio-mundial/marvao-pondera-desistir-da-candidatura-a-patrimonio-mundial

http://www.publico.pt/local/noticia/marvao-pondera-retirar-candidatura-a-patrimonio-mundial-da-unesco-1547195

http://www.noticiasaominuto.com/cultura/102201/marv%c3%a3o-vai-candidatar-se-a-patrim%c3%b3nio-mundial-da-unesco

http://www.radioportalegre.pt/index.php/8-radio/2807-marvao-lanca-livro-de-apoio-a-candidatura-a-patrimonio-mundial.html

http://www.radiocampanario.com/r/index.php/regional1/6551-elvas-marvao-almeida-e-valenca-avancam-com-candidatura-conjunta-a-patrimonio-mundial


O mundo dos outros (1)


A inércia essa grande velhaca!

"...Falava um Dr Paulo, do Gavião, da Direcção Escolar de Portalegre, que as mudanças eram inevitáveis, que o Ministério se regia por números, e que mais valia aceitar e tirar o melhor proveito possível das mudanças. 

Mas falava para uma parede, porque o então (e agora) Presidente nada fazia, nada faz, nada fará. Culpando este mundo e outro dos problemas que são iguais aqui como no Baixo Alentejo, Beira Alta ou Trás os Montes. Falava mas aqui não se fazia, não se faz, não se fará. Porque é mais fácil culpar quando vem o decreto, quando vem o fecho definitivo, que é culpa dos senhores de Lisboa, nunca dele.
De há dez anos para cá pouco mudou, o pouco que mudou foi imposição de fora..."

Continuar a ler aqui na Mercearia...

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Valha-nos a “sopa de tomate” e pouco mais para animar a quadra natalícia em Marvão

Por Teresa Simão




A convite do Centro Cultural de Marvão e integrado no programa de Natal dinamizado na freguesia de Santa Maria, no domingo à noite, dia 27 de dezembro atuou em Marvão o Grupo Coral de Fronteira.

Numa típica noite de inverno, fria e bastante ventosa, a animação das gentes do “vizinho” concelho de Fronteira ajudou a aquecer os presentes e garantiu boa disposição durante o serão. De lamentar, no entanto, que tanta gente se tenha deslocado graciosamente a Marvão para animar os munícipes e os marvanenses não tenham correspondido em maior número ao seu esforço e dedicação, optando pelo recato dos seus lares em vez de aproveitarem as poucas iniciativas que surgem nesta quadra festiva. Sim, porque se não fossem as associações a traçar um programa para esta época do ano, em Marvão o período do Natal e de fim de ano não passaria de mais um igual a tantas outros, sem praticamente animação nem iniciativas para cativar e fixar quer os residentes, quer os turistas.

Por todo o lado abundam programas culturais alusivos ao Natal e às celebrações do ano novo, são dinamizadas pelas autarquias múltiplas iniciativas para celebrar esta quadra festiva e promover animação tanto para os filhos da terra, como para aqueles que a visitam. Em Marvão, para além de uma simbólica iluminação e do mercado de Natal (depois de muita pressão dos produtores), pouco mais foi planeado. Na verdade, no nosso concelho já nos vamos habituando a não contar com nada de novo, o que também tem contribuído, a meu ver, para a desmotivação dos marvanenses em aderir ao pouco que ainda existe.

Mas voltando ao Grupo Coral de Fronteira, com apenas um ano de existência, este grupo de quase 30 elementos trouxe a Marvão músicas típicas do Alentejo e um já vasto reportório próprio, imaginado por um dos seus elementos, o simpático senhor Machado. Entre as canções inéditas, eis que surgiu uma intitulada “Sopa de Tomate”, cuja letra ilustra bem os seus ingredientes, bem como o seu processo de confeção, não esquecendo o seu valor na alimentação alentejana e até os seus benefícios para a saúde. Na verdade, uma letra interessante, um verdadeiro hino à gastronomia alentejana, que facilmente entrou no ouvido dos presentes e que motivou a sua repetição no encerramento do concerto.

Todos os leitores que me conhecem compreendem a minha particular atenção às questões da gastronomia local e regional, daí que me tenha fascinado este poeta popular ter optado por dedicar uma música a mais um prato tão apreciado no nosso Alentejo. Vários passos têm sido dados para recolher e salvaguardar a gastronomia alentejana e o facto de surgirem novas composições sobre esta temática é realmente de louvar, pois, mais do que satisfazer o ouvido, faz crescer água na boca e desperta o ouvinte para degustar o prato e assim continuar a valorizar esta vertente imaterial tão importante na região.

Ainda que não seja uma comida típica do Natal, sendo mais frequente na altura em que o tomate abunda nas hortas, a “Sopa de Tomate” foi, sem dúvida, uma boa forma de encerrar o concerto no Centro Cultural de Marvão e de nos despedirmos dos amigos de Fronteira que tão alegremente nos animaram.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal para TODOS!

por Jorge Rosado



Caros Amigos Marvanenses, chegamos à quadra Natalícia, um tempo para refletirmos e confraternizarmos, junto das nossas famílias. Para além da dimensão festiva desta data, faço votos para que este período, proporcione a todos um momento de paz, de partilha e de união.

Julgo que hoje, mais do que nunca, a nossa sociedade precisa de um espírito renovado de solidariedade. Através de gestos simples podemos melhorar a vida do próximo. Para isso não precisamos de aproveitar as fragilidades dos outros para engrandecermos os nossos atos de “generosidade”. Quando o queremos fazer de forma genuína, com o coração, não precisamos de levar as máquinas fotográficas e os assistentes: Apenas a BOA VONTADE, O SENTIMENTO e o ESPÍRITO NATALÍCIO DA ÉPOCA.
É precisamente aqui, que este nosso projeto, "Marvão para Todos", que agora nasceu, PROCURA FAZER A DIFERENÇA, PELA POSITIVA, COM RIGOR, TRANSPARÊNCIA E HONESTIDADE.

Estou AQUI porque acredito nesta equipa, na capacidade para alavancar o nosso Concelho de uma forma sustentável. Só podia estar AQUI: desde os 16 anos que trabalho para o nosso Concelho, tanto a nível associativo como profissional e a minha única bandeira sempre foi e será a do Concelho de Marvão! Sempre trabalhei com todos os executivos, de uma forma natural, enquanto os interesses do Concelho estiveram acima dos interesses individuais. Ergo a nossa bandeira com orgulho e podem contar sempre com a minha determinação para fazer a diferença, mostrar que é possível fazer muito mais com menos recursos.

Este é um momento de reflexão para TODOS: Devemos propor-nos a servir de forma genuína: É isso que os Marvanenses esperam dos responsáveis pelo nosso Concelho. Sem truques, sem subir a escada da Árvore de Natal para a Fotografia. Não podemos escrever aos Marvanenses apenas de 4 em 4 anos, para lhes cobrar os “favores” que não são mais do que uma obrigação.

Queremos contribuir para a construção de um Concelho melhor, mais justo. Temos esperança nos Marvanenses e nas instituições da nossa Terra, aquelas que para nós, são o principal motor do nosso Concelho. As pessoas são a nossa maior riqueza. Contem com a nossa determinação para apresentar novas ideias e novas formas de fazer acontecer, em EQUIPA. E, não menos importante, esperança na juventude, na sua capacidade de sonhar, de criar novas ideias e novas causas para o bem-estar de TODOS.

Desejo um Santo e Feliz Natal a todas as FAMÍLIAS MARVANENENSES. Podem contar connosco em 2016, para de uma forma construtiva, EM EQUIPA, continuarmos a encontrar soluções para o futuro do nosso Concelho!

Viva o Concelho de Marvão! Um Concelho que queremos para TODOS!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Contos (tristes) de Natal...

Por João Bugalhão


Não escondo que nasci pobre numa das encostas da serra de Marvão. Nunca andei descalço, mas vivi mais pobre que muitos daqueles que hoje se dizem ou apelidam de “pobres” com carros à porta, refeições fornecidas por uma instituição, internet, Tv paga, etc.. Não tínhamos electricidade, televisão, nem tão pouco telefonia, brincávamos com cavalos de pau, bolas de farrapos que metíamos numa qualquer meia rota, matávamos pássaros com fisgas, fazíamos corridas de burros, só tomávamos banho no verão nos tanques da vizinhança, e roubávamos fruta nas hortas quando chegava o verão. Não íamos à missa, ou pelo menos eu não ia, nem no natal. Mas aprendíamos a lutar pela vida porque ninguém nos dava nada, e o culto da malandragem não era muito apreciado ou incentivado e apoiado.

Nesse tempo não se falava do pai natal com o saco das prendas vindo do pólo norte, num trenó puxado por renas. Havia, isso sim um sapatinho, às vezes roto, que púnhamos à chaminé na esperança que, pela manhã, lá aparecesse, deixado por um tal menino jesus um par de meias, ou umas “joaninhas” de chocolate que custavam meia-tostão e que ajudavam a aumentar as já adiantadas cáries dentárias. Uma ou outra vez, também por lá aparecia uma fatia de queijo flamengo, ou meio pacote de leite em pó ofertados pelo prior da paróquia que, dias antes dessa data, se encarregava de o distribuir pelas progenitoras dos gaiatos pobres da freguesia e, ao qual, meu pai chamava jocosamente o leite do padre, que ajudava a tingir o triste café preto nas manhãs do dia natal. Mas éramos felizes às vezes, como todas as crianças.

Não conhecia por isso as histórias dos tradicionais reis magos que, o senhor deus, encarregou de levar as prendas a seu filho humano, a não ser através dumas figurinhas de barro que os meninos mais abastados, ou na escola, punham no meio do musgo, juntamente com outras figuras ainda mais bizarras, onde se reuniam santos e animais, a que chamavam presépio. Muito menos conhecia os seus nomes como hoje sei: Melchior ou Belchior que ofereceu o ouro, talvez por ser branco ou seu representante, logo o mais rico. Gaspar, que ofereceu o incenso, talvez por ser amarelo e julgar-se já um chinês espiritualista. E Baltazar que, por ser preto, se contentou em ofertar “mirra”. Coisas da cabeça dos homens, pois não me parece que um deus, e por ter mais que fazer, alguma vez pensasse nisso.

Mas também não havia estórias tristes como as duas que hoje vos conto, a troco destas coisas do natal. Um natal mercantilista, de interesses, da caridadezinha, do faz de conta que sou cristão e tenho que praticar o bem nesta época do ano! Mas o que pretendem, no fundo, é a compra da consciência daqueles que, coitados, continuam pobres ou apelidados de tal, para que, quando chegar o dia das próximas eleições, os reembolsem com o seu votozinho de agradecimento. É a estratégia: toma lá um “chupa” agora, dá-me lá um voto naquele dia!

São assim as estórias dos “vouchers”(vales-oferta), com que o Melchior da autarquia de Marvão presenteou as criancinhas filhas dos funcionários da autarquia. Curioso é que, os tais “vouchers” de 25 paus cada um, para comprar um brinquedo não possam, ao menos, ser gastos nas lojas do concelho, que as há. Mas que levem logo a direcção (e o carimbo) para serem aviados numa superfície comercial em Portalegre, no caso o hipermercado E. Leclerc. A pergunta básica que há a fazer é: será através de medidas como esta que o Melchior (ou Belchior) marvanense pensa contribuir para o desenvolvimento da economia local? Ou então, porque é que o virtuoso “mago” não agarra em toda esta massa, e promove o tradicional almoço/jantar convívio de todos os funcionários e colaboradores autárquicos, como sempre se fez antes do seu reinado, que contribuiria para fortalecer o espírito de grupo! E, preferencialmente servido por um Restaurante do concelho?

São assim também as estóreas da entrega de cabazes de natal, que um tal deus norte alentejano (Rui Nabeiro), em boa hora, e certamente bem-intencionado, resolveu ofertar os mais desfavorecidos das terras em que tivesse paróquia a sua religião (Delegação da Delta). O que ele não sabe, nem sonha, é que um certo mago Gaspar marvanense, não amarelo mas cinzento, de quem se diz querer ocupar o lugar de Melchior, se presta, numa estratégia do vale tudo, a fazer as figuras que em baixo se reproduzem (com todo o respeito daqueles que foram bafejados pela sorte de serem os escolhidos), posando quase como se também fosse um pobrezinho, na companhia dos anjinhos camponeses (enviados pela Delta), para as fotos que a seguir mandou publicar no faceboock do município! Pergunto: será que a autarquia não tem técnicos da área social para fazerem este trabalho e tem de recorrer a um qualquer Gaspar para esta tarefa? Ou mais uma vez o que está em causa é a promoção eleitoral do figurante? Será que um vereador, pago a preço de incenso, não tem mais nada para fazer?


Finalmente, que restará ao 3º mago, Baltazar o rei preto, a quem calhará neste caso, não ofertar “mirra”, mas certamente a fava! Possivelmente cantar as janeiras quando chegar o dia 6 do primeiro mês do 2016!

Coitado do natal... 
      

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mais um bom retrato da governação de Vítor Frutuoso...

Por João Bugalhão


É sabido por todo o distrito e região, que o presidente da Câmara de Marvão gosta um bocado de se armar e engrandecer, chamando a si, na primeira pessoa, os louros sobre o que de positivo se passa no concelho. No entanto, sempre que algo corre menos bem ou existem erros na sua governação, um dos seus apanágios, é responsabilizar sempre os outros, nem que sejam os mais próximos colaboradores, ou fazer-se de vítima e, dizer que foi enganado. Nada de menos bom do que se passa em Marvão tem a sua responsabilidade. Senão vejamos apenas 2 dos exemplos mais gritantes:
 
1 - Quando em 2013 surgiu a investigação do Ministério Público (MP) e Judiciária ao processo de concessão do Bar do Centro de Lazer da Portagem a uma firma de um seu vereador, imediatamente, em vez de assumir responsabilidades próprias, porque ele também sabia (ou deveria saber a lei das incompatibilidades) que a «Firma Sabores do Norte Alentejano» era do Vereador (porque ele lhe comunicou por escrito, assim como a todos os autarcas da altura e, porque é obrigatório por Lei), rapidamente quis sacudir a água do capote e responsabilizar apenas o referido vereador, queimando assim, mais um dos seus.

No entanto, ao que parece, agora que o processo foi mandado arquivar, por o MP ter achado que não foi lesada a coisa pública, (sem o isentar da ilegalidade cometida), e como já tinha feito constar publicamente a responsabilidade do vereador, com quem está em conflito e quer apear do próximo acto eleitoral; fechou a decisão na “gaveta”, e não a quis divulgar publicamente. Tendo que ser José Manuel Pires, na última Assembleia, por iniciativa própria, a fazê-lo;

2 – Há pouco tempo, Novembro de 2015, em mais uma trapalhada de adjudicação de Ajustes Directos, em que a Câmara de Marvão é a campeã distrital, no que diz respeito à prestação de serviços para manutenção da Rede de TV na vila de Marvão, e em que teve o desplante de levar uma proposta à Câmara de consulta de 3 Firmas com o mesmo dono, quando confrontado por Nuno Pires sobre todos os factos; não hesitou, imediatamente, em responsabilizar a Secção de Obras, e nomeadamente, o Engº Nuno Lopes, pelo sucedido (pelo menos foi o que disse em Reunião de Câmara). Naturalmente também foi esse funcionário o responsável pela entrega (mais uma vez por Ajuste Directo sem consulta a mais ninguém), do processo de medição dos terrenos da Celtex, ao seu próprio pai por 8 mil euros!

Com exemplos destes não admira, como se mostra em baixo, que no Ranking agora divulgado sobre o Índice de Transparência Municipal, Marvão ocupe em 2015 um honroso 184º lugar (em 305 municípios), e em 2014 ainda pior, apenas o lugar 280º. A nível distrital no universo das 15 Câmaras do distrito, Marvão em 2014 era o 13º, e em 2015 o 10º. Isto num município que mais parece uma empresa familiar, mais fácil de dirigir que saltar à corda. Um quintal com menos de 3 500 habitantes, e cerca 100 funcionários municipais. Mas com uma governação composta por 3 vereadores a tempo inteiro e um assessor-chefe (ou será encarregado de obras).

De quem será a culpa desta situação Sr. Presidente?

  Quadro 1 – Ranking nacional e distrital do Índice da Transparecia Municipal em 2015 e 2014




terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Um bom exemplo: Escolas do concelho ocupam os primeiros lugares em Ranking de avaliação distrital



É com enorme satisfação que o “Movimento Independente - Marvão para Todos”, vê as escolas do concelho ocuparem os primeiros lugares no Ranking de Avaliação dos Exames do 9º ano do ano lectivo 20014/2015. Só superadas por um Colégio privado de Elvas.  Tal situação torna-se ainda mais relevante por não ser a primeira vez que as escolas do concelho ocupam estes lugares cimeiros.

Quadro 1Ranking de Avaliação dos Exames do 9º ano do ano lectivo 20014/2015 no distrito de Portalegre



Por não ser todos os dias que se vêem indicadores sobre o concelho ocuparem estes lugares, está de parabéns toda a comunidade escolar do concelho, aqui reconhecido pelo "Marvão para Todos". E um desafio para que no futuro, e na comparação a nível nacional ainda se possa ir mais além!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Nós por cá (2) – 1 mês de publicações


De acordo com aquilo que achamos que deve ser a nossa prática de comunicar, o Blogue Marvão para Todos, periodicamente, por aqui irá fazendo o seu balanço, o ponto da situação sobre o nosso desempenho.

Fez ontem 1 mês que nasceu o Blogue Marvão para Todos, cuja missão á a dar a conhecer as ideias e as actividades do Movimento Independente com o mesmo nome, sejam elas individuais ou colectivas.

Ao longo deste 1º mês aqui publicámos 19 artigos, ou 19 Posts como se diz em linguagem blogosfera. Visitaram-nos cerca 1 800 visitantes, uma média de 60 visitantes ao dia; e estes visualizaram-nos cerca de 2 700 vezes, o quer dizer que vêm por aqui mais que uma vez ao dia.

Este foi o mês de arranque. Oxalá possamos melhorar no futuro. Contamos convosco, para nos continuarem a visitar e divulgar, mas também para nos enviarem as vossas opiniões, sempre que acharem conveniente. A porta está aberta.

A todos o nosso obrigado   

Gráfico 1 - Visualizações de página do Blogue Marvão para Todos no 1º mês de vida
           Fonte: Bloguer

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Marvão para Todos põe o “marvão político” a mexer...

por João Bugalhão


Não sei se terá a ver, nem tão pouco é alvo de qualquer reprovação, antes pelo contrário, ao menos que já tenhamos servido para alguma coisa! Mas que parece ser um facto, parece. Sem qualquer tipo de classificação ou valoração, vejamos:

Facto 1 – Em 31 de Outubro o Marvão para todos faz a sua apresentação




Facto 2 – Em 12 de Novembro o Partido Socialista afixou os seguintes cartazes no concelho:





Facto 3 – Em 18 de Novembro, o presidente da autarquia Vítor Frutuoso, dá entrevista ao Jornal Alto Alentejo reagindo à apresentação do "Marvão para Todos".





Facto 4 – Em 18 de Novembro, dois Membros da AM de Marvão do Partido Socialista, fazem comunicado no Jornal Alto Alentejo




Facto 5 – Talvez pela primeira vez na história de Marvão (?), que eu me lembre, o Partido Socialista vota contra o Orçamento 2016 e GOP 2016/2019, quer na Câmara quer na Assembleia Municipal. Veja-se aqui o comunicado do vereador Carlos Castelinho.


“Posição do Vereador do Partido Socialista, Carlos Castelinho, a propósito do Orçamento para 2016



A política não tem que significar sempre unanimismos e consensos, antes pelo contrário tem de respeitar as diversas opiniões e haver cedências pelo bem comum das populações.


Posto isto, o executivo liderado pelo PSD na Câmara Municipal de Marvão não soube fazer nenhuma cedência na execução das propostas do Partido Socialista apresentadas o ano passado para 2015. Acolheram e acomodaram essas Propostas no seu Orçamento e depois fizeram como quiseram, fizeram como sempre estão habituados a fazer.

O PS não deixará de dar o seu contributo ao Concelho de Marvão, antes pelo contrário vai reforçar a sua acção, aquilo que não vai ocorrer é mais nenhuma negociação de Orçamento com o PSD até final do Mandato. Os consensos quando não passam só do papel e da forma, levam a este tipo de consequências.

O ano passado chamamos aqui à atenção dos vereadores do PSD para a Almossassa, o Apoio ao Folclore e Música Popular, a Feira de Gastronomia, a Rota do Contrabando e o Orçamento Participativo. Ora, então pergunto, tiveram em linha de conta alguma das nossas sugestões?

O Bairro da Fronteira do Porto Roque continua sem tem uma única ideia, a política de Habitação está abandonada, não há uma única medida de saúde e inovação social e a política Cultural está estagnada.

Em suma, os Senhores do PSD estão há 10 em anos em Marvão. Este Orçamento é uma cópia dos 10 Orçamentos anteriores, o que não serve o futuro do Concelho de Marvão.”



Já começa a valer a pena... 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Feira “Terra a Terra” – Ou o faz lá tu para ver se sabes fazer...

por Nuno Pires


Um dos eventos propostos pelo Partido Socialista (PS) nas suas propostas eleitorais de 2013, era a criação de um grande evento anual, a Feira “Terra a Terra” em Santo António das Areias, com vista a contribuir para o desenvolvimento económico local, e em simultâneo, um piscar de olho ao turismo do concelho para promover os produtos locais e, ajudar assim, os nossos produtores na divulgação e comercialização dos mesmos.

No final de 2014, através de proposta do PS de Marvão, o Executivo da CM de Marvão incluiu esta Feira no Orçamento de 2015, e agendou a realização da dita Feira em Abril, por altura das Festas São Marcos, na povoação de SA das Areias. Esta atitude levou a que, o Vereador do PS na câmara municipal, saudasse a iniciativa, fazendo constar até na Declaração de Voto sobre o Orçamento 2015 a seguinte referência. “Saudamos a inclusão da nossa proposta para a realização da - Feira Terra a Terra, que pode ser mais um evento que permita aos produtores locais a divulgação e escoamento de algumas das suas produções. Este evento servirá para incentivar os produtores locais e contribuir assim para uma dinâmica mais agressiva no desenvolvimento (...) do mercado de Páscoa. Fazemos votos que a organização deste evento possa ser de forma ambiciosa, com um planeamento adequado e com objectivos bem definidos. Só assim conseguimos deslumbrar resultados positivos.”

Figura 1 - O sonho!


Estava claro que, uma iniciativa destas com os contornos supra citados, os dirigentes do PS estariam a pensar numa “iniciativa” que, no futuro, pudesse rivalizar até, quem sabe, com os outros grandes eventos do concelho, como são a Feira da Castanha ou a “al mossassa” (cada uma à sua maneira); e não num pequeno evento tipo “mercado local semanal dos sábados”, um pouco mais composto, que foi o que, na prática, acabou por suceder. E foi assim porque, à boa maneira deste executivo, não se programou a Feira, fez-se tarde e a más horas em cima do joelho, não se implicaram os interessados, não se pediu ajuda a quem sabe...; e o resultado, foi aquele que se viu. 

Figura 2 - O resultado em 2015


Agora temos aí agendado, nas actividades para 2016, a II edição da Feira “Terra a Terra”, possivelmente no mesmo mês (Abril) e no mesmo local (SA das Areias), mas que mais parece o vê lá se não me chateias que isto só está aqui para te fazer a vontadeou, se queres faz tu para eu ver se sabes fazer! Pelo menos a julgar pelo que se lê na Acta da Reunião de Câmara do último dia 2 de Novembro e que aqui transcrevo, sobre como o assunto foi tratado entre o Vereador Castelinho e o Presidente Vítor Frutuoso: 

E assim é tratado o desenvolvimento económico em Marvão. Não admira assim que, sejamos um dos concelhos com piores indicadores económicos a sul do Tejo, e de quase todo o país.

Em minha opinião, concordo com a última resposta dada pelo Vereador Carlos Castelinho, não compete ao PS, enquanto partido sem pelouros atribuídos, andar a desenvolver actividades que cabem ao executivo, por isso é que lhes pagamos, e não é pouco: 3 dirigentes (1 presidente e 2 Vereadores) e um assessor a tempo inteiro. Mas, por outro lado, seria de bom-tom para o Partido Socialista, pelo menos apresentar um Projecto prontinho a executar, que nem seria muito difícil; e pô-lo em cima da secretária do Presidente Vítor Frutuoso. Se o executassem todo o concelho beneficiaria, e ficaria um bom exemplo de prática política.