http://marvaoparatodosmovimentoindependente.blogspot.pt/2015/11/o-movimentoindependente-marvao-para
domingo, 24 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Marvão: Visitar, negociar e... viver!
Por João Bugalhão
Outro dado ainda a retirar deste estudo é que, no panorama contextual do Distrito de Portalegre, Marvão, ocupa uma modesta 9ª posição, como se pode ver no Quadro 1.
No entanto este estudo trata ainda outros dois indicadores: Turismo e Negócios. No indicador Turismo, Marvão, ocupa a 1ª posição no distrito de Portalegre e um honroso 81º lugar no ranking nacional. É curiosa nesta classificação Marvão ficar inclusive à frente de Elvas, que ainda há pouco foi classificada como Património Mundial.
Num estudo
revelado hoje pelo Jornal de Negócios, o concelho
de Marvão ocupa um dos piores lugares para se viver em Portugal, num universo
de 308 concelhos, Marvão, ocupa a 260º lugar. Com todas as dúvidas que nos
possam causar estes estudos, eles devem dar-nos que pensar, e para quem tem ou
pensa ter, responsabilidades de governação no concelho, talvez não fosse má
ideia ter estes dados em conta, e pensar como é que no futuro poderá inverter
esta realidade, ou pelo menos não a piorar, porque, com diz o povo, para mal já
basta assim.
Outro dado ainda a retirar deste estudo é que, no panorama contextual do Distrito de Portalegre, Marvão, ocupa uma modesta 9ª posição, como se pode ver no Quadro 1.
No entanto este estudo trata ainda outros dois indicadores: Turismo e Negócios. No indicador Turismo, Marvão, ocupa a 1ª posição no distrito de Portalegre e um honroso 81º lugar no ranking nacional. É curiosa nesta classificação Marvão ficar inclusive à frente de Elvas, que ainda há pouco foi classificada como Património Mundial.
Nesteindicador referente ao “Turismo” é ainda interessante verificar as posições ocupadas pelo
“triângulo” «Marvão – Portalegre – Castelo de Vide», que ocupam 3 das primeiras 4
posições do ranking no distrito, uma área que poderia e deveria ser bem mais
trabalhada e explorada pelos governantes dos 3 concelhos, em vez de viverem de
costas voltadas. Neste processo, Marvão enquanto concelho que ocupa o 1º lugar,
deverá desempenhar o motor e o catalisador deste projecto. Entender e trabalhar esta vertente será contribuir para que estes concelhos se tornem em locais
onde se possa viver melhor, e no caso particular de Marvão poder subir
alguns lugares no ranking que actualmente ocupa.
Ainda por
curiosidade, no indicador “Negócios” Marvão ocupa também um modesto lugar 207º no
panorama nacional, e a 6ª posição a nível do distrito de Portalegre.
Se me é
permitido uma síntese de diagnóstico, digamos que, no contexto distrital, "Marvão é um concelho muito visitado, um concelho interessante para fazer negócios, mas
onde a sua população não vive nada bem".
E isto, na minha
opinião é um problema de governação local.
Nota Final: A juntar a estes dados
deveremos ter em conta que, com base noutros estudos, Marvão:
- é o concelho com mais baixo poder de compra no distrito de Portalegre,
- um dos que tem mais baixo salário médio de toda a zona sul (abaixo do Tejo),
- um dos últimos no que toca à transparência de governação.
- é o concelho com mais baixo poder de compra no distrito de Portalegre,
- um dos que tem mais baixo salário médio de toda a zona sul (abaixo do Tejo),
- um dos últimos no que toca à transparência de governação.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Ainda a propósito da gestão do Castelo de Marvão...
Por Nuno Pires
Agora que a
poeira parece ter assentado venho aqui manifestar, publicamente, a minha
opinião acerca da novela da gestão do Castelo de Marvão.
Assistimos
nestes últimos 2 meses a reuniões de câmara inéditas, com a presença de muito
público, quiçá insatisfeito, com a solução que o Município anunciou para a
futura gestão do Castelo de Marvão: Entrega à Fundação Ammaia. Reuniões
carregadas de emoção, e reuniões em que o Presidente Vítor Frutuoso, apesar de
saber da importância dos assuntos a discutir, decidiu primar pela ausência numa
dessas reuniões e meter férias!
Assistimos
também a uma Assembleia Municipal bastante participada e que terminou de forma
muita acesa, em que a problemática do Castelo foi mais uma vez abordada e onde
uma proposta, apresentada pela bancada do Partido Socialista e aprovada por
unanimidade, parece ter contribuído para um serenar de ânimos (pelo menos por
enquanto), ao propor que a gestão do Castelo de Marvão fosse feita directamente
pela Câmara Municipal.
Em minha opinião
estes episódios tristes só se verificaram porque infelizmente as partes
envolvidas não souberam separar o que são opiniões diferentes, e, em Marvão
reina a teoria de que “....se não
concordas comigo és contra mim”! Isto para não falar da teoria do medo, que
por muito que queiram contrariar, dizendo que não existe, ela anda por aí e a
influenciar muito mais do que parece, mas felizmente que vão sempre aparecendo
alguns mais corajosos que pelo menos não se calam.
A relação do município
com o Centro Cultural de Marvão nunca foi saudável e isso tornou-se evidente na
declaração de voto proferida pelos vereadores do PSD aquando da proposta para
que o Centro Cultural fosse reconhecido com a medalha de mérito municipal, no
último 8 de Setembro. Só uma gestão muito medíocre justificaria o tratamento
dado por parte do executivo, a um parceiro que cuidou e implementou dinâmicas
no Castelo de Marvão. Mas que foi, no entanto, reconhecida e valorizada por
muitos, como se provou pelas diversas manifestações da população.
Num concelho
como Marvão é necessário proteger, reconhecer e estimular quem faz bem, e trabalha
como voluntário e atinge objectivos propostos. Tal deveria ser motivo mais do
que suficiente para não existirem razões para o tratamento que o município
entendeu dar ao Centro Cultural de Marvão. Pelo que, ao Centro Cultural de
Marvão deveria ter sido confiada a possibilidade de continuar a desenvolver o
seu trabalho, contribuindo também assim para a estabilidade de quem, no
interior do Castelo, desenvolve os seus negócios.
O comportamento
do município de Marvão, que deveria ser de estimular e aglutinar, é cada vez
mais de clivagens e de separação de pessoas, o que, no mínimo, é muito triste. Somos
tão poucos que, só unidos, será possível marcarmos a diferença e competirmos
com o exterior. Com isto não estou a pensar que, também a Fundação AMMAIA não
viria a fazer um bom trabalho. Mas porquê alterar, o que por si, já era motivo
de satisfação?
Segundo diversas
intervenções do Sr. Presidente do município acerca da gestão do Castelo por
parte do Centro Cultural, é que “ Foi
boa, mas poderia ser muito melhor….”. Esta frase permite-nos ambicionar
algo de muito positivo para a gestão futura do Castelo nos próximos tempos,
pois quem consegue avaliar o que foi bom, mas manifestar a ousadia de fazer
muito melhor, é porque reconhece que tudo aquilo a que o Centro Cultural se
propunha para continuar com a gestão é perfeitamente possível e ainda melhorar.
Perante tal afirmação,
e agora que gestão do Castelo está sob a alçada directa do município, esperemos
que se faça jus à afirmação do Presidente da Câmara na Assembleia Municipal de
19-2-2016:
“...a
gestão do Castelo foi boa, mas vai ser, a partir de agora, muito melhor!”
OXALÁ...
O Centro
Cultural propôs uma parceria interinstitucional que integraria a Ammaia, a
Associação de Jovens Maruam, a Santa Casa de Misericórdia de Marvão, que pode
ver aqui
terça-feira, 22 de março de 2016
Assembleia Municipal Extraordinária
Amanhã dia 23 de Março de 2016, às 18 horas, na Casa da Cultura, terá luga uma Assembleia
Municipal Extraordinária em Marvão, por proposta do Partido Socialista.
Esta Assembleia Municipal (AM) foi requerida pelos membros
do Partido Socialista de Marvão, na sequência do sucedido na última sessão da
AM, realizada no último 19 de Fevereiro, onde o Presidente deste órgão resolveu
terminar de forma abrupta e repentina a Sessão, não dando a voz às diversas
pessoas do público, que se encontravam inscritas e que não puderam participar.
sexta-feira, 18 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
João Nunes Vidal - In memoriam…
Por Teresa Simão
(1940-2016)
Em plena era digital,
em que a informação circula quase à velocidade da luz, nem sempre as notícias
que recebemos são as mais agradáveis. Ao abrir o computador e passar os olhos
pelo F.B., eis que me deparei com um laço negro apresentado pelo Rancho Folclórico
da Casa do Povo de Santo António das Areias que me despertou a atenção e me
levou a tentar perceber o que se passara na nossa terra que tal motivava. Assim
tive acesso à triste notícia da partida deste marvanense que tanto contribuiu
para a preservação da identidade da nossa gente e do Alentejo em geral.
Há alguns anos atrás, quando iniciei a minha linha de investigação sobre o património imaterial de Marvão, João Nunes Vidal foi uma das primeiras pessoas a que me dirigi, pois sempre o tive como uma referência na recolha etnológica do concelho de Marvão e há muito que ia acompanhando o seu trabalho. A receção não poderia ser melhor, quer da sua parte, quer por parte da sua família. Todos se disponibilizaram para me fornecer o que fosse necessário e ali senti estar na presença, mais do que meros informantes/colaboradores, de novos amigos. E foi assim, com base em algumas letras de músicas do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Santo António das Areias, que começou o estudo do Falar de Marvão, que depois viria a contar com o apoio de muuuuitos mais marvanenses e também da minha experiência, pois tenho a sorte de estudar algo que me é muito caro.
Ao saber da partida do Sr. Vidal, ainda por cima no dia em que completava 76 anos de idade, imediatamente me deixei abater pela natural tristeza inerente à perda de um grande Homem. No entanto, em seguida, comecei a recordar o dia em que o conheci pessoalmente, as conversas que com ele tivera e, acima de tudo, tudo o que contribuiu para a cultura alentejana, e de Marvão muito em particular, e logo me veio à memória a sua cara de menino, que irradiava alegria sempre que falava que assuntos de cariz etnológico e perante a qual ninguém podia ficar triste, mas sim curioso e entusiasmado com o seu saber contagiante.
Marvanense de gema, descendente de uma família já com veia para a música, o afastamento temporário do concelho por questões profissionais nunca apagou as suas origens nem o gosto pela cultura popular que desde tenra idade lhe foi incutido. Logo que lhe surgiu um desafio, deu largas à sua criatividade e, através de muito trabalho e muita dedicação, conseguiu impor-se como uma referência no domínio da etnologia.
Em 2009, por ocasião da atribuição da Medalha de Mérito Municipal de Marvão ao Sr. João Nunes Vidal, o amigo Pedro Sobreira (na altura vice-presidente da autarquia) escreveu uma excelente síntese biográfica que aqui partilho, pois permite ao leitor conhecer um pouco melhor o nosso conterrâneo:
http://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.pt/2009/09/joao-vidal-o-homem-e-obra.html
“o sonho comanda a vida,
(…) sempre que um
homem sonha
o mundo pula e
avança”
Ao relembrar as
palavras sábias de António Gedeão (que tantas vezes me servem de alento), não
posso deixar de definir o Sr. Vidal como um sonhador que muito lutou para
realizar os seus projetos e que conseguiu o merecido sucesso pelo seu trabalho,
prestando assim um enorme contributo a todas as terras e a todas as gentes
que, graças a si, viram as suas tradições, os seus usos e costumes, bem como as
suas músicas populares recolhidas e promovidas, de modo a não caírem
definitivamente no esquecimento, mas passarem de geração em geração e assim
perdurarem no tempo.
Como sempre se
disponibilizou a partilhar a informação por si coligida, aqui deixo um link
para uma recolha feita pelo projeto Memoriamedia, no qual o Sr. Vidal apresenta
alguns dos seus registos:
http://www.memoriamedia.net/GFCB-docs/DOCUMENTOS/Recolhas-Sr-Vidal.pdf
http://www.memoriamedia.net/GFCB-docs/DOCUMENTOS/Recolhas-Sr-Vidal.pdf
Alerto ainda para a
leitura do artigo por si escrito na revista Ibn
Maruán nº 1 (p. 67), intitulado “Ritos de Passagem do Nordeste de S. Mamede”,
presente em: http://www.cm-marvao.pt/pt/revista-cultural-ibn-maruan
Até ao momento, muito
do trabalho do saudoso Sr.Vidal tem sido acarinhado e promovido por aqueles que consigo lidavam
mais de perto, sendo o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Santo António das Areias um dos
principais mentores. Esperemos que assim continue e que alguns conteúdos que ainda
existam no seu baú venham a público e possam continuar a enriquecer-nos a todos,
pois essa seria seguramente a sua maior alegria!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Mais um atentado à Democracia
Por Teresa Simão
Nota prévia:
Devido a uma atitude antidemocrática lamentável ocorrida com um órgão deliberativo na autarquia de Marvão, o que parece ser já prática recorrente, sou obrigada a citar o Oxford Classical Dictionary, que nos ilustra sobre o conceito de democracia, ou da falta dela, o que abre sempre caminho para perigos maiores. Assim, segundo esta fonte, o vocábulo surgiu pela primeira vez na viragem do século V para o VI a.C., após as revoltas em Atenas terem derrubado uma dinastia de tiranos do poder. Em demokratia encontrávamos o sentido da palavra: o poder (kratos) do povo (demos). Já a "tirania" significava, na sua origem, o governo por um homem só; não necessariamente no sentido atual de opressor ou usurpador de reis. Um tirano individual podia ser bom, mau ou não tão mau como isso. Apesar de tudo, os tiranos foram retirados do poder por um número significativo de habitantes de uma polis (cidade-estado) e os cidadãos desse estado tinham direitos legais, incluindo o direito a falar livremente e a ser ouvidos e consultados em matérias de interesse comum.
Na autarquia de Marvão, em pleno século XXI, constata-se que um certo agente da
democracia local ainda não compreendeu o conceito de democracia e, talvez por
essa razão, manda calar os vereadores da oposição, os membros da Assembleia Municipal
e, conduta ainda mais gravosa, ignora, se não mesmo despreza, a vox
populi, ou seja, a massa socioeleitoral de Marvão, que assim vê a sua voz
encerrada num cadeado que é avesso ao debate de ideias e à afirmação do pluralismo democrático.
Pergunto-me se o portador desta conduta antidemocrática atua por um impulso
autocrático que estruturalmente possui ou se tal remete, também, para a
ignorância da história da democracia, sua evolução e para que servem, afinal,
as suas instituições, como é o caso da Assembleia Municipal, órgão deliberativo
por excelência presidido pelo sr. Catarino.
Os últimos mandatos, os longos e penosos anos em que Marvão parou no tempo, têm sido pontilhados pela violação das boas regras democráticas, da audição e da dialética parlamentar, pois na sua origem está um elemento que cerceia a liberdade de expressão aos atores e forças vivas da terra que têm algo a dizer acerca do destino e do futuro comuns.
Ora, consta que, na última assembleia municipal, aquele "agente pouco democrático" (o tal sr. Catarino) impediu que a palavra fosse devolvida ao povo, conforme consta da teoria democrática e decorre do regulamento da dita Assembleia. Daí a pertinência da questão: será apenas a prepotência de um ditador em potência ou, cumulativamente, isso conjugado com a mais pura ignorância da democracia e do seu funcionamento e exercício ao nível local.
Já ensinava Sócrates, o de Atenas, que, se o homem é mau (na sua conduta pública), tal não decorre apenas da sua maldade congénita, mas resulta também da sua ignorância. Ignorância acerca da teoria e da praxis do conceito de democracia e do funcionamento das suas instituições.
Por outro lado, este lamentável comportamento antidemocrático num governo de proximidade revela que a democracia falha quando ela não sabe entrar e criar raízes na política e, quando assim é, abre-se a porta para os tiques autocráticos mais perigosos para as sociedades democráticas, que assim veem diminuídos os seus poderes de representação sem os quais, aliás, o debate de ideias em democracia pluralista não é garantido.
Infelizmente, a prática que lamentavelmente todos vamos conhecendo em Marvão, e que tem origem naquele Executivo, e tem sido agravada pelo suposto representante daquela Assembleia Municipal (o órgão por excelência deliberativo e que tem sido grosseiramente vilipendiado), vem confirmar a ideia de que democracia pluralista e civismo em política, por estas bandas, não caminham lado a lado. Quer dizer, votar para eleger líderes, por exemplo, é um mecanismo democrático; mas muitos monges medievais numa igreja muito autocrática elegiam os seus próprios abades.
Esperemos, contudo, que o Executivo de Marvão, que dá cobertura àquelas práticas antidemocráticas da Assembleia Municipal (ou é o inverso?!) não prolongue mais esta agonia democrática, porque o dever de todos os cidadãos é o de participar ativamente na vida pública e nos assuntos que interessam à comunidade.
Em tempos, Aristóteles recordava Sólon (o lendário criador de leis de Atenas) para justificar que a função geral do Povo era a de eleger os representantes e a de lhes pedir contas no fim do mandato.
Seria útil extrairmos esta lição dos clássicos…
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Hoje há Assembleia Municipal
... mas às 18
horas, que é uma hora em que poucos marvanenses têm hipóteses de assistir. Mas
tal parece ser do agrado do actual Presidente da Assembleia Municipal Dr. Luís
Catarino e da actual governação, que têm rejeitado todas as propostas para que
a mesma se realize às 20 horas, como sempre aconteceu no passado, assim como a
sua descentralização pelas freguesias. Até parece que têm medo dos marvanenses!
Entretanto andam
a realizar sessões, sem que ninguém saiba e onde ninguém aparece, sobre um tal
Orçamento Participativo. E por isso tiveram que desistir... Enfim coisas à moda
de Vítor Frutuoso & companhia.
Mas parece que
hoje a coisa vai estar composta.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Intervenções dos membros do “Marvão para Todos” na vida social e política do concelho de Marvão (2)
A Reunião de Câmara
de 1 de Fevereiro de 2016, deve ter sido uma das participadas no historial do
concelho de Marvão. Estiveram presentes no público cerca de 20 marvanenses. O
motivo? Uma proposta do Presidente da Câmara Victor Frutuoso de concessionar,
por “Ajuste Directo”, o Castelo de Marvão à Fundação Ammaia.
Lembremos aqui
que em 2012 tinha sido, pela primeira vez, promovido um concurso público para
tal finalidade, e que o mesmo viria a ser vencido pelo Centro Cultural de Marvão.
Associação que foi a gestora do Castelo nos últimos 3 anos.
Nesta Reunião
estiveram presentes 4 Membros do Movimento “Marvão para Todos”, que fizeram as
intervenções que em baixo ficaram registadas em Acta do respectivo órgão e que,
agora aqui trazemos para conhecimento dos marvanenses. Para além do tema do
Castelo, os Membros do Movimento levaram também a discussão o futuro do Património
da Nunes Sequeira em SA das Areias. Para um conhecimento mais alargado a Acta
pode ser consultada aqui. Seguem-se as intervenções
sobre estes 2 Temas de Jorge Rosado, João Bugalhão, Nuno Pires e José Manuel
Baltazar:
Intervenção 1 de Jorge Rosado:
Intervenção 1 de João Bugalhão:
Intervenção 1 de Nuno Pires:
Intervenção 2 de Jorge Rosado:
Intervenção 2 de Nuno Pires:
Intervenção 3 de Jorge Rosado:
Intervenção 2 de João Bugalhão:
Intervenção 1 de José Manuel Baltazar:
Intervenção 3 de João Bugalhão:
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Pequenas histórias e vivências da comunidade marvanense (4)
Por João Bugalhão
Em finais de
2001 houve eleições autárquicas no concelho de Marvão. Manuel Bugalho, candidato
pelo Partido Socialista (PS), renova o seu mandato como Presidente de Câmara, elegendo 3 Vereadores,
contra os 2 Vereadores eleitos pelo Partido Social Democrata (PSD) que teve
como cabeça de lista Joaquim Barbas.
Em 3 de Janeiro
de 2002 tomaram posse os novos membros da Assembleia Municipal (AM). A sua constituição era de 11 Membros representantes do (PS), e 8 Membros representantes do PSD. Para
a constituição da Mesa da Assembleia foram apresentadas 2 Listas: A Lista A constituída
por José Jorge Ribeiro, José Manuel Soares da Costa e João Francisco Pires
Bugalhão; a Lista B constituída por João Ribeiro Mendes, Carlos Fernandes Baeta
e Paulo António Mota. Venceu a Lista B com 11 votos, contra os 7 da Lista A
(faltou à reunião João de Brito Mena Antunes, que tinha sido candidato pelo
PSD).
Aqui fica o
discurso proferido pelo então eleito Presidente da AM João Ribeiro Mendes:
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Intervenções dos membros do “Marvão para Todos” na vida social e política do concelho de Marvão (1)
Esta rubrica
pretende dar conhecimento das diversas intervenções feitas por membros do
Movimento “Marvão para Todos” na vida política e social da comunidade
marvanense. Essas intervenções nem sempre serão feitas em nome do Movimento, muitas
vezes poderão ser feitas em nome individual ou das Associações em que se encontram inseridos,
sinal que os mesmos participam na vida comunitária para além das actividades de
mero cariz político.
Para início da
rubrica damos hoje conhecimento de duas intervenções na Reunião de Câmara do
dia 18 de Janeiro de 2016, e que constam na respectiva Acta, feitas por Jorge Rosado e João Bugalhão. A de
Jorge Rosado a respeito da proposta do Presidente da Câmara de terminar o
contrato da exploração do Castelo com o CC de Marvão e de fazer a concessão,
por “ajuste directo”, à Fundação Ammaia; a de João Bugalhão sobre o mesmo tema
e questionando sobre o apoio a dar pela CM de Marvão aos Bombeiros de Marvão
sobre uma actividades na área da Protecção Civil.
Quem quiser ter
conhecimento das respostas e de todo o processo pode consultar aqui na Acta nº 2/2016.
Intervenção de
Jorge Rosado:
Intervenção de João Bugalhão:
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Direito de resposta
A respeito do
Post publicado aqui, da autoria de João Bugalhão sobre os diversos processos da
Candidatura de Marvão a Património Mundial, recebemos do Dr. Domingos Bucho o
seguinte esclarecimento, que ao abrigo do direito de resposta aqui se publica:
“A candidatura de Elvas não foi um processo
relâmpago, clandestino e fruto de arranjinhos políticos! Antes pelo contrário,
começou com a candidatura à Lista Indicativa Portuguesa, feita por mim em 2003,
como representante do Instituto Politécnico (tal como em Marvão) e aprovada
pela Comissão Nacional da Unesco em 2004. O dossiê começou a ser elaborado e,
em 2007, organizámos uma Cimeira Mundial de Especialistas em Arquitectura
Militar Abaluartada em Elvas, para dar a conhecer o projecto ao mundo e para o
discutir cientificamente no estado avançado em que então se encontrava,
metodologia que foi seguida até à sua conclusão. Em Fevereiro de 2009 estava concluído
e foi apresentado publicamente (!) a 23 de Maio desse ano.
Entregue, formalmente, à Comissão Nacional
da UNESCO (CNU) a 18 de Janeiro de 2010, foi tecnicamente aprovado (como o
tinha sido o dossiê de Marvão) e seguiu para as instâncias internacionais da
UNESCO e do ICOMOS onde, depois de um penoso calvário de apreciações, pareceres
e reformulações pontuais, foi, novamente, tecnicamente aprovado, a 1 de Março
de 2011. Finalmente, a 30 de Junho de 2012, na reunião do Comité do Património
Mundial da UNESCO, em São Petersburgo (Rússia), onde não havia representantes
de Portugal, diga-se, Elvas passou a integrar a Lista do Património Mundial,
com aprovação por unanimidade!
Faço notar que, nos dois momentos cruciais,
o da decisão de integrar Elvas na Lista Indicativa Portuguesa (2004) e o da
integração na Lista do Património Mundial (2012), onde a interferência política
se poderia fazer sentir (as restantes fases são meramente técnicas e
processuais), estiveram no governo Durão Barroso/Santana Lopes e Passos Coelho,
em cujo Ministério dos Negócios Estrangeiros (que tutela a questão), estava
Paulo Portas como ministro. Pois a CNU tudo fez, em São Petersburgo, para que o
dossiê de Elvas não fosse discutido ainda nesse ano, e abreviando a história,
porque daria pano para mangas, o final só foi feliz porque o nosso embaixador
em Paris (que representava Portugal na UNESCO), ao tempo, é uma pessoa
inteligente e percebeu (ao segundo dia…) que eu tinha razão, aceitando
apresentar a argumentação que eu redigira e que me preparava para defender na
sessão, completamente atirado às feras pela CNU.
Entre outras minudências, o que supostamente
impedia a candidatura de Elvas de ser discutida naquele ano era o facto do bem
que se candidatava não ser, ainda, na sua globalidade, classificado como
Monumento Nacional pela legislação portuguesa. Era um falso problema, porque a
nossa legislação diz, precisamente, que os bens nacionais classificados como PM
passam a ser considerados, automaticamente, Monumentos Nacionais. Todos os
outros óbices foram facilmente reduzidos a pó: questões da área de protecção,
cuja linha deveria passar mais aqui e menos ali, etc. Só a CNU é que
considerava estas questões importantes, aconselhando a recolha do dossiê para
se regularizarem, o que a sessão veio demonstrar ser um perfeito absurdo.
Falta explicar um passo importante deste
processo: por que é que Elvas avançou sozinha? Diga-se que Elvas sempre teve
essa legitimidade a partir do momento em que entrou na Lista Indicativa em
2004. Mas, de facto, eu e o Professor Campesino (da Universidade da
Extremadura) lançámos, em Portugal e em Espanha, a partir de 2007, um projecto
de Candidatura Transfronteiriça das Fortificações Abaluartadas da Raia Ibérica,
abdicando Elvas da sua individualidade, caso fosse possível concretizar o
projecto. Era uma candidatura com um formato previsto pela UNESCO: candidatura
em série, por ciclos, ou seja, apesar de ser a série que seria hipoteticamente
classificada no seu conjunto, os dossiês podiam ser apresentados à medida que
estivessem concluídos e tecnicamente aprovados pela CNU. E a condição de Elvas
era a de que o seu dossiê fosse o primeiro a ser apresentado, exactamente
porque já estava praticamente concluído, faltando, sobretudo, tradução,
paginação, design, etc. O de Marvão não estava nas mesmas condições: tinha que
ser reformulado porque fora elaborado segundo um formato diferente e com
exigências técnicas também diferentes (e em constante mudança).
Perceba-se que se Elvas tivesse que esperar
por todos os dossiês, em número imprevisível na altura, talvez 10 anos não
chegassem para finalizar o processo e isso era impossível de gerir
politicamente naquele município.
À boa maneira portuguesa, as Câmaras
envolvidas até essa altura (Marvão incluída) não aceitaram a proposta, querendo
entrar todas ao mesmo tempo e dizendo, o que é um absurdo e prova de total
ignorância, que conseguiriam elaborar os seus dossiês no espaço de seis meses a
um ano. Depois de uma reunião em Almeida - após as fundacionais de Badajoz (23
de Março de 2007) e de Elvas, e de uma outra completamente improdutiva na CNU
(Junho de 2008) -, informei a Câmara de Elvas que estava fora do processo.
Tinha gasto dois anos da minha vida a
trabalhar em vão, para todos, e a posição dos nossos parceiros sobre a questão
principal era esta: “Elvas tem que esperar pela conclusão de todos os dossiês
porque se fez esta proposta é porque está com medo de avançar sozinha”! Outras
razões me levaram, também, a abandonar o projecto: quer a CNU (que nunca teve
“agenda”, sequer, para participar em nenhuma das reuniões fundacionais), quer o
ICOMOS, quer o Ministério da Cultura/IPPAR, ao tempo, não se quiseram
comprometer na resolução de uma questão fulcral: a selecção das fortificações
que comporiam a série. “Avance”, diziam-me, descartando responsabilidades! Era
impossível avançar! Era Portugal no seu “melhor”! O projecto de candidatura em
série nunca passou de um pré-projecto. As condições sine qua non para avançar
nunca se consensualizaram.
De facto, Elvas beneficiava se fosse em
conjunto, até porque nessa altura as candidaturas em série estavam a ter boa
aceitação. Mas era inaceitável esperar tanto tempo com um dossiê nas mãos,
pronto, e com um caminho já percorrido de 7 anos! Perante a incompreensão e o
egoísmo suicida dos outros municípios envolvidos, a Câmara de Elvas, gestora do
processo, decidiu avançar sozinha e muito legitimamente, embora não se
desvinculasse nunca do projecto de candidatura em série, como se prova pela sua
adesão à nova tentativa actual.
As outras Câmaras deitaram tudo a perder com
a sua falta de senso. Hoje, estariam classificadas, é minha profunda convicção;
não sei quais, porque nunca as autoridades portuguesas decidiram em
conformidade, apesar de existir, junto à CNU, um Grupo Interministerial para o
Acompanhamento e Coordenação das Candidaturas.
É esta a verdadeira história da candidatura
de Elvas que é tratada de forma leviana, num formato piadista que não faz
sentido num espaço oficial que se exige sério. Processo que mereceu,
inclusivamente, condecorações por parte do Presidente da República em 2013, que
muito me honram, e que, presumo, não terão sido, também, uma consequência de
“arranjinhos” políticos com Cavaco Silva.
Registe-se, finalmente, que em 18 anos de
processo em Marvão, a única candidatura tecnicamente aprovada que chegou à
UNESCO foi a que eu coordenei (e que teria, por certo, chegado a bom porto, se
tivessem dado ouvidos aos doutos reparos do sr. João Bugalhão).
E acrescento, também, porque este autor fala
de tanto dinheiro esbanjado, que o que ganhei em direitos de autor pelo
trabalho que realizei (e que ainda está a ser utilizado e vendido pela CMM) e
que transcendeu, em muito, o dossiê propriamente dito, dividido pelo tempo em
que trabalhei, continuamente, no processo, correspondia ao ordenado mínimo
nacional de então, do qual ainda tirava todas as despesas, nomeadamente das
minhas duas deslocações semanais a Marvão.
Entretanto, outros críticos, com o “mundo” e
as competências que me faltam, tiveram, nos últimos 10 anos, tempo de sobra
para pôr em marcha as suas concepções e metodologias, mas nada lograram
alcançar. Tão pouco produziram um só dossiê!
E a verdade é que, se nos anos mais próximos, Marvão conseguir entrar na Lista do Património Mundial - assim o espero -, tal se deverá, em larga medida, ao facto de Elvas já lá estar, estendendo a escada para que outros subam!
E a verdade é que, se nos anos mais próximos, Marvão conseguir entrar na Lista do Património Mundial - assim o espero -, tal se deverá, em larga medida, ao facto de Elvas já lá estar, estendendo a escada para que outros subam!
Esclareço, também, que a minha saída do
projecto de candidatura em série foi definitiva e que soube pela comunicação
social que estava novamente em marcha. Boa sorte!
Cumprimentos e votos de sucesso para o
MARVÃO PARA TODOS.
Marvão, 26 de Janeiro de 2016
Domingos Bucho"
domingo, 24 de janeiro de 2016
Pequenas histórias e vivências da comunidade marvanense (3)
Por João Bugalhão
...e porque hoje
é dia 24 de Janeiro!
Se a integração
do concelho de Marvão em Castelo de Vide em 1895 foi uma coisa boa ou não, será
algo que nunca saberemos. Possivelmente, como tudo na vida, seria uma coisa boa
para uns e prejudicial para outros. O que nos fica da narração que vos venho
fazendo, e do que ficou escrito, parece que para os de Castelo Vide seria bom, já
para os de Marvão não o sabemos porque são poucos os relatos. Mesmo assim, não
podemos esquecer que esses relatos são dos dirigentes da altura, e como
sabemos, pela experiência da vida, nem sempre o que é bom para os dirigentes é
o que é bom para o povo que dizem representar.
No caso de António de Mattos Magalhães, não sabendo nós, se por estes
feitos se por outros, haveria de chegar a Par do Reino/Deputado, através da
promoção do seu amigo Frederico Laranjo. Esta situação não impediu no entanto
de ser considerado um dos grandes beneméritos do concelho, contribuindo às suas
expensas para a construção de algumas obras públicas, nomeadamente escolas. Uma
das mais curiosas é que consta na sua biografia da Câmara Municipal de Marvão,
sobre as então importantes Termas da Fadagosa e que diz “Não tendo a Câmara
Municipal disponibilidade financeira para custear a exploração das águas, nem
verbas para custear as despesas do projecto de reedificação dos referidos
banhos, deliberou em sessão de 4 de Outubro de 1885, que estas águas se
vendessem em hasta pública, arrematando-as então o Dr. António de Mattos
Magalhães.”
Figura 1 - Fotografia de Marvão no início do século XX (Retirada do álbum do Facebook de Jorge Oliveira)
Outra ilação que
podemos tirar desses tempos, independentemente das vantagens que se poderiam
ter no cômputo nacional com a integração (ganhar força de escala), é que a
anexação de uns por outros nem sempre será a melhor coisa. Cada comunidade tem
as suas vivências, o seu orgulho, e sobretudo a sua história. Não será por mero
acaso do destino que, há mais de 800 anos, existem aqui 2 concelhos e duas
comunidades diferenciadas. Contrariar a história e a tradição não será nunca uma
boa estratégia.
Voltando ao
cerne da nossa narrativa, ficou assim o dia 24 de Janeiro de 1898 gravado na
história de Marvão, como o dia da “restauração do concelho”, chegando a ser
considerado feriado municipal. Das comemorações próximas dessa data,
pouco se sabe. Mas uma das que se sabe é
que, 36 anos depois (!) em 1934, já em plena primavera salazarista, a coisa
continuava a ser lembrada e comemorada pelos de Marvão, e então de uma forma
épica como nunca nos tinha sido relatada. Atente-se no exemplo do discurso que
fez, e deixou escrito, José Domingos de Oliveira, presidente da Comissão
Administrativa da Câmara municipal de Marvão no dia 24 de Janeiro de 1934:
Foto de José Domingos Oliveira
Discurso retirado da Obra Centenário da Restauração do Concelho de Marvão da Autoria de Maria Ana Rodrigues Bernardo, pgs 33 e 34.
Hoje, passados
118 anos, embora com menos fulgor, a data continua a ser comemorada em Marvão,
uns anos com mais entusiasmo outros nem por isso, como parece ser o caso deste
ano. Perante os factos que vos citei tenho algumas dúvidas acerca da implicação
dos marvanenses, sobretudo dos seus dirigentes, na desanexação/restauração do
concelho de Marvão em 1898. O episódio mais parece um daqueles equívocos dos
governantes centrais que fazem e desfazem com facilidade por decreto, o que antes outros
haviam feito. Se assim foi, os motivos
para comemorar actos heróicos serão poucos, por isso as comemorações foram
sempre tão fracas.
No entanto, este episódio deve merecer a nossa
reflexão nos dias de hoje, já que a história muitas vezes se repete como um
círculo. Tenho dúvidas, nos tempos que correm, se a independência
administrativa e financeira dos 2 concelhos (senão até mais alargada) se poderá
manter por muito mais tempo com o despovoamento constante, impossível de parar,
que os 2 concelhos têm sofrido; é que actualmente, juntos, não chegam aos 7 mil
habitantes (só Marvão em 1971 tinha perto de 8 mil). Já escrevi que sou favorável a uma “federação”,
com uma só administração, constituída por Marvão, Castelo de Vide, Portalegre,
Arronches e Monforte; mas com cada um dos concelhos a manter a sua identidade e
representação democrática nessa administração.
Anexação de uns pelos outros nunca! Olhemos para a história...
Anexação de uns pelos outros nunca! Olhemos para a história...
sábado, 23 de janeiro de 2016
Pequenas histórias e vivências da comunidade marvanense (2)
Por João Bugalhão
Em princípios de
1897 o Partido Progressista de José Luciano de Castro chega ao governo de
Portugal, substituindo os Regeneradores de Hintze Ribeiro que haviam
patrocinado a reforma administrativa que suprimia vários concelhos do país,
entre os quais como já referimos no artigo anterior, o concelho de Marvão. E
como sempre na política e governação portuguesa, nada melhor para ser diferente
e baralhar, que desfazer o que o anterior havia feito. E foi assim, também por “decreto”
que se restaurou. Dando no entanto origem ao mito de heróis que talvez nada
fizeram pela causa, mas que mais tarde, devido ao esquecimento e à falta de
hábitos de escrita dos portugueses, se hão-de fazer grandes homenagens.
Figura 1 - O imponente Arco da Aramenha, retirado dessa localidade no século XVIII e implantado à entrada da vila de Castelo de Vide onde hoje se situa o Hotel Sol e Serra. Viria a ser destruído em 1891 (?) ainda antes da anexação do concelho de Marvão.
Por isso, e um
ano após estarem no governo, a 13 de Janeiro de 1898, os Progressistas
elaboraram o seguinte decreto, que dizia no seu art.º 1º: “São restaurados os concelhos mencionados no mappa nº 1, que com o
presente decreto baixa devidamente authenticado, ficando constituídos com as
freguezias que no mesmo mappa lhes são respectivamente designadas e sendo
incorporados nos districtos administrativos a que o mappa allude”. (1) E
assim se cumpriu também no caso do concelho de Marvão.
Em 24 de Janeiro
de 1898, em encontro que, segundo relatos, decorreu na aldeia da Escusa, os “nomeados”
representantes dos marvanenses, tendo à frente António de Mattos Magalhães,
receberam da parte da governação de Castelo de Vide os símbolos de Marvão que
para lá haviam sido transferidos, nomeadamente, “utensílio, mobília e archivo”. Dizem os relatos que tudo decorreu dentro
da melhor ordem e de acordo com as instruções do magistrado distrital.
Três dias depois
o Livro de Actas da Câmara de Marvão relata-nos o seguinte: “Anno do nascimento de Nosso senhor Jesus Christo de mil oitocentos e
noventa e oito, nesta villa de Marvão a sala das sessões da Câmara Municipal
deste concelho, reintegrado por decreto de 13 de Janeiro deste anno, aos 27
dias do mesmmo mez, a onde se achava o cidadão João José Magalhães, administrador
deste concelho, previamente convidados a comparecer os cidadãos Dr. António de
Mattos Magalhães, Manuel Joaquim Semedo, Francisco José de Carvalho, José Maria
Forte e José Machado, monidos com as respectivas commonicações officiaes, que
os nomeavam membros da Commissão Municipal para receberem posse dos seus
respectivos logares prestando o juramento por lei determinado.” (2).
Figura 2 - Fotografia de Marvão no início do século XX (Retirada do álbum do Facebook de Jorge Oliveira)
Assim se fez
pois a desanexação/restauração do concelho de Marvão: por decreto governamental
e com nomeação pelo Governador Civil de Portalegre de uma Comissão
Administrativa para gerir o concelho. Desta comissão faziam parte apenas 2 membros
que estavam na vereação extinta em 1895 António de Mattos Magalhães e José
Maria Forte, sendo que o primeiro foi nomeado seu presidente.
Da parte dos
registos marvanenses da altura, segundo a autora que venho citando, pouco
podemos saber acerca das congratulações que aqui existiram pela
devolução/restauração da soberania municipal do concelho de Marvão. Um dos
poucos registos desse regozijo é um Ofício de 16 de Junho de 1898, enviado pelo
vice-presidente da Comissão Administrativa José Maria Forte (já que o
presidente/herói Mattos de Magalhães, não se aguentou muito tempo por aqui, e
nessa altura já tinha rumado a outras paragens como deputado do reino), a
agradecer a 4 personalidades consideradas importantes para o desiderato de
então. Essas 4 personalidades foram: José Luciano de Castro (Chefe do Governo
Central do Partido Progressista); João Ferreira de Pina Callado (Governador
Civil de Portalegre); José Frederico Laranjo e António de Mattos Magalhães (Par
do Reino/Deputados pelo Partido Progressista); que diziam com pequenas
diferenças o seguinte: “Tenho a honra de
levar a V. Ex.ª que a câmara da minha presidência resolveu, como protesto da
mais viva gratidão e agradecimento pelo restabelecimento d´este concelho, que o
retrato de V. Ex.ª fosse colocado na sala das suas sessões a fim de que a
posteridade possa attestar os serviços prestados por V. Ex.ª à causa que
prestou à câmara pelo restabelecimento d´estes concelho...” (3)
O Retrato de
Mattos Magalhães ainda hoje lá permanece, dos outros nada sei!
Mas se da parte
dos marvanenses tudo parecia então, com o concelho restaurado, “cravos e rosas”, já o mesmo não se não
podia dizer por parte dos de Castelo Vide, que viam assim perder, talvez a
parte mais valiosa com que haviam sido brindados e a que sempre aspiraram. Embora
tendo sido por pouco tempo, não deixava de ser uma perda, indo ao ponto de dizerem
que, também os de Marvão, perdiam com a desanexação, como se pode ler no Livro
de Actas da Câmara Municipal castelovidense. Leia-se, com muita atenção, como os
de Castelo de Vide viam o concelho de Marvão: “...esta Vereação concorreo quanto pôde para assignalar as vantagens da
anexação dos concelhos de Castello de Vide e de Marvão, agora desanexados (...)
com grande prejuízo dos povos dos dois concelhos, que sempre viveram na melhor
harmonia e assim hão-de continuar, estreitando-se cada vez mais as relações de
família que os ligam e a comunidade de interesses comerciais e industriaes que
convergem a Castello de Vide pela sua situação e elementos de vida. Crê que a
desanexação não será duradora por quanto ella não exprime a vontade geral e
obedeceu apenas, a velleidades d´alguns homens, que levados de nimio amor pelas
suas ideias sacrificaram a consciência e legítimos interesses dos povos aos
seus caprichos. Appela para o testemunho dos mesmos povos e elles dirão como
nos dois anos que estiveram unidos experimentaram benefícios e melhoramentos
que chegaram aos logares mais distantes e como em tudo se revelou melhoria na
administração municipal, e d´ora em diante hão-de ver retrahidos esses
benefícios principalmente nas freguezias de Marvão onde faltam indivíduos
habilitados para a necessária rotação dos cargos públicos, e rendimentos para
fazer face a despesas de administração e aos melhoramentos privativos da
localidade. “ (3).
Está bem abelha, como diria o outro! Isso soa-me a conversa de “colonizadores”, digo eu. Já lá vão 120 anos...
(1) – BERNARDO, Maria Ana: Centenário da
Restauração do Concelho de Marvão, 1998, pg 25.
(2) – Idem, pg
28
(3) – Idem, pg 31
(4) - Idem, pg 26
(4) - Idem, pg 26
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
O mundo dos outros (4)
Na sequência do Post que aqui publicámos, sobre a hipótese de constituição nos Bombeiros Voluntários de Marvão, de uma equipa de bombeiros para a prestação de actividades na área da protecção civil, visando a melhoria da prestação de socorro nas diversas vertentes da sua actuação, encontrámos hoje, na página do Facebook dos referidos Bombeiros, um esclarecimento/comentário por parte do Comandante Carlos Franco sobre o assunto.
Ao trazermos aqui mais uma vez este assunto ao conhecimento dos marvanenses, fazemo-lo não para levantar qualquer polémica acrescida, mas apenas para apelar, mais uma vez, à análise ponderada do assunto das partes implicadas, já que tal parece pertinente.
Também nos parece que o Sr. Comandante chama aqui a atenção para coisas muito sérias, que deveriam merecer uma reflexão aprofundada. Sobretudo num concelho em que, a acessibilidade aos cuidados de saúde são bastante deficitários, mesmo quando comparados com os concelhos limítrofes, e que esta equipa poderia ajudar a suprir algumas carências e necessidades da população marvanense.
Haja pois algum bom senso e ponderação.
Aqui fica na íntegra, a mensagem/comentário do Sr. Comandante Carlos Franco, e que foi retirada daqui:
“Este assunto, muita conversa tem motivado e no meio de ameaças e constrangimentos, sinto a necessidade de clarificar o que levou a colocar este Post.
Como é público os bombeiros de Marvão têm poucos bombeiros, os equipamentos que possuímos são débeis, que por falta de bombeiros temos dificuldade em assegurar o socorro à população, os bombeiros são voluntários e não recebem dinheiro, por isso trabalham em outros ofícios, que os seus patrões dificilmente dispensam esses bombeiros para virem fazerem o seu serviço voluntario. Em suma, o corpo de bombeiros está dependente da boa vontade e disponibilidade de pessoas que no seu tempo livre são bombeiros activos e com a sua boa vontade vêm prestar o socorro/apoio à população.
Para esclarecer, existe também um pequeno grupo de bombeiros (7) que trabalha a tempo inteiro e recebe salário. A sua missão é assegurar os serviços de rotina, consultas, tratamentos, fisioterapia, hemodiálise, transferências entre hospitais, etc. Na maior parte do dia está ausente do quartel para efectuarem este tipo de serviço. Então quando ocorre um incêndio em uma habitação, um incêndio rural, acidente, acidente rodoviário, incêndio florestal, etc., como é que respondemos para prestar o socorro? Respondemos como podemos, e dependemos da mesma boa vontade dos bombeiros dos concelhos vizinhos, Castelo de Vide, Portalegre, Nisa, etc.
Aqui começa o meu dilema! As pessoas que vivem no concelho de Marvão e os seus visitantes não têm direito a terem um socorro rápido e eficaz? Quanto custa ao serviço nacional de saúde a recuperação de um doente que levou muito tempo a ser socorrido, quanto custa uma vida humana? Pode ser um amigo, conhecido, familiar ou até um familiar próximo.
O facto de trazer este assunto ao conhecimento dos cidadãos, à discussão, tem como base que, estes, são de interesse de todos e que sejam abertamente discutidos para posteriormente serem decididos por quem de direito.
Fará esta equipa a diferença na prestação do socorro à população? Na minha opinião é evidente que sim.
Será que pelo facto de investirmos este dinheiro iremos minimizar o tempo de chegada ao local de um sinistro ou irmos salvar alguma vida ou minimizar o tempo de recuperação de uma pessoa? Na minha opinião é evidente que sim.
Será que as pessoas e visitantes não têm direito um socorro mais rápido e eficaz? Na minha opinião é evidente que sim.
Será que este valor é significativo para um município que tem as contas em dia? Será que é importante criar 5 postos de trabalho?
Esta é a minha angústia e todos os dias trabalho e “pedincho”, regateio para que as pessoas do concelho de Marvão possam ser melhore servidas.
Estão os bombeiros voluntários, tal como eu, nesta missão apenas para servir a população e servi-la o melhor que podemos, conseguimos, sabemos de forma desinteressada sem nada pedir em troca.
Espero que tenha contribuído para o esclarecimento da importância da constituição de uma equipa de intervenção permanente nos bombeiros voluntários de Marvão.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Pequenas histórias e vivências da comunidade marvanense (1)
Por João Bugalhão
A partir de
agora, e com alguma regularidade, aqui irei publicar pequenas histórias da vida
marvanense, não obedecendo a qualquer ordem cronológica, e sem qualquer
pretensiosismo de historiador, apenas e só o tentar dar a conhecer
acontecimentos e factos do passado e estimular à sua análise. Podem ser
acontecimentos históricos como o de hoje, mas podem ser apenas pequenas
intervenções individuais e ocasionais na nossa vida comunitária. Isto poderá
parecer básico para os especialistas, mas para o comum dos marvanenses poderá
trazer algum conhecimento, e quem sabe, suscitar algumas dúvidas e estimular o
estudo mais aprofundado, para além de poder provocar o contraditório. Se assim
for terá valido a pena. Para começar, e porque por estes dias se celebra, no
próximo dia 24 de Janeiro, mais uma data da restauração do concelho em 1898,
aqui publicamos alguns episódios que antecederam essa data, mais propriamente
alguns factos sobre essa integração do concelho de Marvão no de Castelo Vide.
É mais ou menos
do conhecimento geral dos marvanenses que o concelho de Marvão esteve adstrito
ao concelho de Castelo de Vide nos finais do século XIX durante cerca de 2
anos, mais propriamente entre Outubro de 1895 e Janeiro de 1898. Já lá vão
cerca de 120 anos. Desde então, Marvão é um dos 308 municípios de Portugal,
sendo que 278 encontram-se sedeados no continente e os restantes 30 nos
arquipélagos da Madeira e Açores.
O concelho de
Marvão, um dos mais antigos e importantes de Portugal, foi suprimido por
“Decreto” do governo central, como muitos outros no país nessa altura. No
distrito de Portalegre, para além de Marvão, também foram suprimidos na mesma
altura, Monforte, Gavião e Sousel. Diversas são as razões apontadas para estas
extinções, mas na sua origem parecem estar razões de âmbito nacional, que
foram, basicamente, duas: as dificuldades económicas do país e a falta de gestores
ou administradores locais competentes.
No caso
específico de Marvão, são escassas as fontes sobre as razões da sua integração
no Concelho de Castelo de Vide. Hoje trago aqui 3 informações que poderão justificar
essa integração, e pelas razões que em cima referi:
A primeira, de
acordo com Maria Ana Bernardo (1), diz respeito ao que encontramos na última
Acta de sessão camarária antes da integração, realizada em 5 de Setembro de
1995, parece que apenas motivada para se fazer uma representação de petição ao
rei D. Carlos: “...pedindo concessão da
entrada no concelho de pão vindo de Espanha. O mau ano agrícola resultara na
escassez de cereais panificáveis e, para a vereação em funções, só a
autorização régia para que cada pessoa pudesse trazer do país vizinho pelo
menos 10 quilos de pão ajudaria a resolver o problema. Presentes nessa sessão
estavam indivíduos que faziam parte da administração quando da extinção do
concelho: Dr. António de Mattos Magalhães (presidente), Manuel Rodrigues
Pinheiro (vice presidente), José Maria Forte, José Serra Júnior e Francisco
Rosado (vereadores)."
Nessa época para
além da vereação camarária existia um Administrador nomeado pelo poder central.
É ele que, em ofício dirigido ao Governador Civil datado de 1 de Outubro de
1895, e registado no livro da correspondência expedida, nos dá também conta das
mesmas dificuldades económicas. Mas mais que isso, também se queixa da falta de
responsabilidade da administração camarária mesmo antes da integração, quando
diz: “...há já três meses que eu e os
empregados d´esta administração não recebem os seus vencimentos, dizendo o
secretário da câmara que não se pagava em vista das folhas não estarem feitas e
não haver aqui quem as assignassem. Espero que V. Ex.ª se digne providenciar
porquanto poderá avaliar o grave transtorno que este facto ocasiona
principalmente n´este momento, havendo em cofre da câmara a quantia não
inferior a um conto de reis.” (2)
Para além destas
duas citações, de acordo com a mesma autora pouco mais se pode apurar
documentalmente e, nem uma nem a outra, fazem qualquer referência à integração
próxima. Tal, digamos, é no mínimo estranho!
Mas se tal facto
parece querer ser ignorado pelos de Marvão, já o mesmo não se pode dizer pelos
integradores de Castelo de Vide, e em Acta de sessão extraordinária do dia 1 de
Outubro de 1895, o presidente castelovidense, Pinto de Sequeira Costa, deixou
lavrado o seguinte: “...tendo o Diário do
Governo do dia trinta de Setembro último publicado o Decreto do dia 26 do dito
mez a reforma da circunscrição administrativa do distrito de Portalegre, sendo
classificado em segunda ordem o concelho de Castello de Vide, anexando-se-lhe o
concelho de Marvão e resultando d´este facto um grade melhoramento que a todo
este município deve satisfazer, entendi dever convidar os meus collegas, para
em sessão solene e especial comemorarmos este acontecimento e significarmos o
nosso reconhecimento a todos os que contribuíram para tão grande benefício.”
(3)
Durante os dois
anos e três meses que durou a anexação, segundo a autora que vimos citando, não
foram encontrados documentos, nem em Marvão nem Castelo de Vide, que relatassem
quais protestos ou desacatos pela integração de Marvão no Concelho de Castelo
de Vide, nem dos dirigentes nem das populações. Também não foram encontrados
relatos escritos de quaisquer actos heróicos que levassem à restauração do
concelho em 24 de Janeiro de 1898. Se os houve, não se escreveram! Se se anexou
por decreto, por decreto, governamental, se restaurou. Em conclusão silêncio de uns, exaltação de outros. Outras
histórias se contam, mas essas ficam para outra ocasião!
(1) – BERNARDO,
Maria Ana: Centenário da Restauração do Concelho de Marvão , 1998, pg
14.
(2) – Idem, pg
15
(3) – Idem, pg
16
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